Piora da inflação e desoneração da cesta básica

Postado por Tharcisio Souza Santos em março 9, 2013

As notícias da semana permitem que se forme uma idéia mais ou menos clara do que se encontra no centro das preocupações do Governo.
Na quarta-feira, ao final da reunião do COPOM em que os juros básicos de 7,25% ao ano foram mantidos, surgiu uma novidade: a não repetição da menção à manutenção dessa taxa ao longo do tempo. Foi o suficiente para confirmar os rumores e a precificação do mercado futuro, na direção de uma elevação dos juros básicos, possivelmente já na reunião de abril. De qualquer forma, maiores esclarecimentos deverão estar disponíveis na próxima quinta-feira, quando da publicação da ata do COPOM.
Na sexta-feira as notícias de uma elevação forte da inflação em fevereiro, contida apenas parcialmente pela redução das contas de energia elétrica, mostraram que o IPCA de doze meses registrou, ao final de fevereiro, marca superior a 6,3% ao ano, o que indica uma forte tendencia de rompimento do teto da meta (de 6,5% ao ano) no final do primeiro trimestre.
Com tudo isso, a pretendida desoneração de impostos incidentes sobre os produtos da cesta básica, que se achava em estudos, foi adiantada e comunicada ao público na noite da sexta-feira. De um lado, trata-se de uma notícia alvissareira, eis que os brasileiros de menor renda deverão ser bastante beneficiados pela medida, que poderá reduzir em mais de 9% o preço de carnes, do café, do óleo de cozinha e outros bens, enquanto que produtos de higiene e limpeza poderão ter seu preço final reduzido em até 12,5%. Trata-se de uma renuncia fiscal da ordem de R$ 7,3 bilhões.

No entanto, na medida em que não está ocorrendo uma reforma tributária, mas apenas um conjunto de “remendos” à situação atual, continuaremos a ter de enfrentar uma carga elevadíssima de impostos, sem nenhuma eficiência do Estado, que continua inchado e incapaz de atender minimamente às demandas da sociedade. A desoneração fiscal é substituída pela introdução de novos gravames, sobre outros setores, em uma ciranda sem fim. É necessário e urgente enfrentar o problema de frente e começar o processo de redução do tamanho do Estado.

Arquivado em: Diversos

Deixe um comentário

Você deve estar logado para postar um comentário.