Inflação e Déficit em Contas-Correntes

Postado por Tharcisio Souza Santos em abril 8, 2013

Mais uma semana complicada para a política econômica brasileira: tanto no fronte externo, como no setor interno, a política econômica parece não produzir os resultados desejados.
Em primeiro lugar, o setor externo. O resultado do primeiro trimestre de 2013, contrariando as estimativas mais pessimistas, mostra o maior déficit de conta corrente dos últimos anos. É comum, por razões do movimento comercial inerente ao final de ano e férias, que se observe um déficit no primeiro trimestre. As importações de mercadorias, estimuladas pelas compras de Natal são mais elevadas, enquanto as exportações sofrem uma queda decorrente do período de férias nas empresas e da entressafra agrícola. No entanto, o resultado deste primeiro trimestre, divulgado na semana passada pelo Governo, leva à conclusão de que o resultado da conta em termos anuais deve ser de um superávit substancialmente menor que o projetado. Isso decorre da já discutida queda de competitividade da indústria brasileira, cujo resultado em doze meses é muito ruim, como divulgado no final da semana. O aparente avanço conquistado em janeiro foi inteiramente anulado pelo desempenho subsequente.
Outro ponto problemático é a inflação: as notícias da semana dão conta de um IPCA acumulado em doze meses da ordem de 6,3%, quase no limite superior da meta estabelecida para o ano todo. Deveria haver, em consequência, uma elevação da taxa básica de juros na próxima reunião do COPOM. Pelo menos essa é a sistemática preconizada pelo Sistema de Metas de Inflação, implantado no país desde 1999 e que tem servido a contento os objetivos da política monetária. No entanto, de acordo com declarações da Presidente Dilma Roussef, é de se esperar um afrouxamento da política monetária e priorização do crescimento econômico. Infelizmente já vimos o suficiente desse filme em outros momentos, para saber dos seus nefastos resultados. Então fica a dúvida: mais juros e redução da já anêmica taxa de crescimento do PIB ou aceleração de crescimento a qualquer preço? Nos dois casos, a solução do problema não parece animadora.
Em suma, os problemas são os mesmos, a infraestrutura e a competitividade não têm recebido a atenção devida, a inovação está bloqueada e a educação caminha lentamente: existem muito poucos motivos para comemorar este segundo trimestre de 2013.

Arquivado em: Diversos

Deixe um comentário

Você deve estar logado para postar um comentário.