Arquivo de março, 2015

Uma Estratégia para a Crise

Postado por Tharcisio Souza Santos em março 10, 2015  |  No Comments

Diante do conjunto de dificuldades impostas pela conjuntura econômica brasileira em um cenário de grandes incertezas, tanto no plano interno, como no externo, é importante que o empreendedor consiga traçar uma rota segura, que lhe permita enfrentar o momento e continuar crescendo, enquanto a melhoria do quadro não acontece. Em outras palavras, trata-se de definir um conjunto de procedimentos que a pequena e micro empresa precisam adotar e seguir, de modo a conviver com a crise e tirar proveito das dificuldades para manter seu ritmo de desenvolvimento.

Em primeiro lugar, é importante entender o cenário em que as micro e pequenas empresas estão imersas, para poder definir a estratégia mais segura a ser adotada. Analisando o passado recente, o segundo semestre do ano passado implicou na consolidação de um quadro de estagflação, ou seja: a economia parou de crescer, a inflação se acelerou e o cenário ficou mais complicado para as empresas brasileiras, tanto em termos de competição internacional, como mesmo no próprio mercado externo. Pode-se afirmar que a competitividade da empresa nacional caiu bastante, causando não apenas problemas em relação às contas externas e ao saldo do balanço de pagamentos, como também nos aspectos de competição no próprio mercado interno, em que o produto importado vem superando o nacional, não apenas em termos de preço, como também em matéria de qualidade e inovação.
Todo esse conjunto de dificuldades está levando o governo a adotar uma política mais rígida, com elevação da carga tributária e redução de incentivos, para melhorar as contas públicas e voltar a apresentar os superávits primários necessários para que a economia brasileira possa continuar a atrair os investimentos estrangeiros sem os quais a infraestrutura do país não pode ser modernizada, uma vez que não existem recursos orçamentários para isso.
Por outro lado, além do aperto fiscal e tributário, está sendo necessário também fazer uma elevação da taxa de juros, encarecendo e reduzindo o montante de crédito disponível, para fazer reverter a escalada da inflação que, aliás, deverá continuar a perseguir a economia brasileira por um bom período neste ano de 2015. Assim, parece claro que a recente elevação da taxa Selic não será a última do ano e que todos terão de conviver com crédito mais escasso e bastante mais caro do que no ano passado.

Finalmente, mas não menos complicado, será preciso enfrentar as consequências da crise hídrica que, segundo os especialistas, é a mais grave dos últimos oitenta anos. Resultado dessa seca é que além do racionamento de água, estamos sujeitos a racionamentos de energia elétrica, além da já esperada elevação das tarifas causada pelo uso frequente das usinas termelétricas, cujo custo de produção é muito maior que o das hidrelétricas. Assim haverá energia mais cara em 2015, o que deverá acarretar uma pressão adicional sobre os custos de produção.

Por todas essas razões – juros elevados, reduzido nível de atividade econômica, dificuldades de competitividade, custos de importação agravados pela taxa de câmbio que continua sofrendo elevação na medida em que o governo enfrenta suas dificuldades com o Congresso Nacional e a perspectiva de maior carga tributária, a palavra-chave para o empreendedor é atenção redobrada nos diferentes aspectos que fazem o dia a dia.

Uma atenção extrema com a gestão de caixa, de modo a evitar ao máximo o endividamento, mesmo que a curto-prazo, é fundamental. O custo embutido nos financiamentos poderá reduzir enormemente a margem da operação, contribuindo para elevar preços e perder clientes potenciais. Esse é, sem dúvida, um dos pontos cruciais para onde os olhos do empreendedor deverão estar voltados durante todo o ano de 2015.

Outro aspecto relevante reside na administração de custos e do processo de produção. A correta apuração dos custos incorridos, especialmente aqueles que são denominados como “indiretos” e que apresentam muita dificuldade para serem identificados de maneira apropriada também será um ponto de destaque. Quem tiver uma gestão de custos baseada em atividades, por exemplo, poderá usar os dados colhidos para aperfeiçoar o processo de produção, eliminando ineficiências que concorrem sempre para o encarecimento da produção e consequente elevação dos preços que devem ser praticados no mercado.

Um terceiro ponto que parece necessário destacar reside na política de marketing e vendas: clientes satisfeitos, atendimento adequado no pós-venda e margens de lucro reduzidas ao máximo, certamente serão fatores importantes para a sobrevivência e o crescimento em um cenário adverso.

Adotadas as medidas que estamos enfatizando, resta desejar a todos um feliz 2016: tomara que as dificuldades deste ano possam ser superadas e que todos nos encontremos em meio a uma situação mais promissora no ano que vem.

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