Arquivo de abril, 2013

Competitividade: a ferramenta básica

Postado por Tharcisio Souza Santos em abril 23, 2013  |  No Comments

Nos dias que correm, a questão de conquistar um degrau acima na escada da competitividade parece ser a questão mais importante para todos os países, com especial ênfase nos emergentes.
Ser competitivo é poder atuar em mercados externos e internos com propriedade, alcançando os melhores resultados e gerando retorno adequado para os investimentos realizados. Neste sentido, é ganhar o destaque merecido entre os concorrentes e alcançar uma posição em que o país possa defender-se daqueles que pretendem ultrapassá-lo, ganhando de forma crescente uma respeitabilidade adequada.
A questão da competitividade pode ser equacionada a partir de esforços no estabelecimento de uma adequada infraestrutura econômica, no desenvolvimento adequado da educação, que será o vetor primeiro da inovação, e da saúde – que tem uma enorme relevância diante de situações em que ela é deixada de lado. Saúde é algo essencial e a razão pela qual algumas sociedades africanas não conseguem superar a marca do atraso reside exatamente na inexistência de mecanismos adequados para a expansão e a consolidação de um padrão adequado de saúde.
Mas o problema da competitividade não se restringe a questões com infraestrutura, educação e saúde: existem pontos adicionais, tais como política cambial, política monetária política fiscal e de comercio exterior, pelo menos. Esses pontos, de natureza macroeconômica, tem uma função extremamente relevante para acentuar ou reduzir a competitividade das empresas de um dado país.
No caso brasileiro, os pontos mais destacados neste momento dizem respeito à política monetária e à política cambial. De um lado, é fundamental acelerar o crescimento da taxa SELIC, como meio de frear a inflação, que se mostra resistente e que poderá comprometer os esforços de construção de uma sociedade mais justa; por outro lado, é essencial encarar a guerra cambial que existe no mundo, impedindo a apreciação do real que, se parece conveniente para os esforços de redução da inflação, aniquila a competitividade do país não apenas no mercado exterior, mas também, em alguns casos, no mercado interno. Um juro real um pouco mais elevado, que permita ao aplicador em renda fixa dobrar seu capital em 20 anos, por exemplo, ao invés da situação atual, pode ser um elemento importante para o desenvolvimento mais consistente.

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Afinal, a consistência!

Postado por admin em abril 15, 2013  |  No Comments

Declarações do Min. Mantega neste final de semana, finalmente colocam um pouco de consistência (mas não muita), na questão do controle inflacionário. Diz o ministro que “não precisa tiro de canhão”, referindo-se à necessidade de elevar os juros básicos na próxima reunião do COPOM.
Tudo indica que o “laboratório de testes de política econômica” do governo acha-se meio sem novas ideias e, em consequência, vamos assistir à volta da racionalidade na formulação da política econômica.
Melhor assim, uma vez que estamos muito distantes dos legítimos interesses da sociedade brasileira, que são de progresso, justiça social e desenvolvimento. É preciso restaurar as condições mínimas de competitividade, para aproveitar a vantagem do momento para os emergentes em geral e que parece ter sido encomendada para o Brasil ganhar um novo destaque no cenário internacional.
No entanto, para isso é necessário um conjunto de medidas de redução de despesas do governo, consequente redução da carga tributária, mais educação e inovação e o desenvolvimento da infraestrutura econômica adequada para nosso tamanho e para a dimensão do que deve ser nosso comércio exterior.
Tudo isso deverá requerer um conjunto de reformas microeconômicas, destinadas a destravar a máquina do país, reduzindo a burocracia, o número absurdo de impostos e a eventual dificuldade de fazer negócios mais rapidamente, no ritmo adequado ao momento que vivemos.
Outro ponto que temos ressaltado: é fundamental impedir a apreciação da moeda! Em decorrência da crise internacional, temos assistido a um movimento quase geral de desvalorização em busca de maior competitividade no comércio exterior, que engloba desde a China, passando pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
Em um quadro como este, só um país inteiramente sem foco pode concordar em manter sua moeda apreciada, comemorando essa apreciação como um meio de reduzir a inflação, pela oferta de produtos importados a preços módicos no mercado interno.
Existe um grande número de oportunidades à disposição dos brasileiros: resta saber se seremos capazes de aproveitá-las.

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Inflação e Déficit em Contas-Correntes

Postado por Tharcisio Souza Santos em abril 8, 2013  |  No Comments

Mais uma semana complicada para a política econômica brasileira: tanto no fronte externo, como no setor interno, a política econômica parece não produzir os resultados desejados.
Em primeiro lugar, o setor externo. O resultado do primeiro trimestre de 2013, contrariando as estimativas mais pessimistas, mostra o maior déficit de conta corrente dos últimos anos. É comum, por razões do movimento comercial inerente ao final de ano e férias, que se observe um déficit no primeiro trimestre. As importações de mercadorias, estimuladas pelas compras de Natal são mais elevadas, enquanto as exportações sofrem uma queda decorrente do período de férias nas empresas e da entressafra agrícola. No entanto, o resultado deste primeiro trimestre, divulgado na semana passada pelo Governo, leva à conclusão de que o resultado da conta em termos anuais deve ser de um superávit substancialmente menor que o projetado. Isso decorre da já discutida queda de competitividade da indústria brasileira, cujo resultado em doze meses é muito ruim, como divulgado no final da semana. O aparente avanço conquistado em janeiro foi inteiramente anulado pelo desempenho subsequente.
Outro ponto problemático é a inflação: as notícias da semana dão conta de um IPCA acumulado em doze meses da ordem de 6,3%, quase no limite superior da meta estabelecida para o ano todo. Deveria haver, em consequência, uma elevação da taxa básica de juros na próxima reunião do COPOM. Pelo menos essa é a sistemática preconizada pelo Sistema de Metas de Inflação, implantado no país desde 1999 e que tem servido a contento os objetivos da política monetária. No entanto, de acordo com declarações da Presidente Dilma Roussef, é de se esperar um afrouxamento da política monetária e priorização do crescimento econômico. Infelizmente já vimos o suficiente desse filme em outros momentos, para saber dos seus nefastos resultados. Então fica a dúvida: mais juros e redução da já anêmica taxa de crescimento do PIB ou aceleração de crescimento a qualquer preço? Nos dois casos, a solução do problema não parece animadora.
Em suma, os problemas são os mesmos, a infraestrutura e a competitividade não têm recebido a atenção devida, a inovação está bloqueada e a educação caminha lentamente: existem muito poucos motivos para comemorar este segundo trimestre de 2013.

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Cenário Complicado

Postado por Tharcisio Souza Santos em abril 1, 2013  |  No Comments

Com as questões fiscais da União Européia ocupando um espaço considerável e o processo de retomada do crescimento econômico ainda incipiente nos Estados Unidos, fica complicado fazer previsões sobre o desempenho da economia brasileira em 2013.
O Brasil iniciou o atual período governamental com a grande possibilidade de atingir uma posição de destaque entre as sociedades mais desenvolvidas. Neste sentido, a administração procurou atacar um programa de cinco pontos mínimos:
a. Redução da burocracia e reforma do Estado;
b. Redução dos Custos do Capital, com juros mais baixos;
c. Crédito mais abundante e mais fácil;
d. Forte apoio à inovação tecnológica; e,
e. Menor carga tributária.
Há riscos que precisam ser superados: a retomada de um patamar mais elevado de inflação, a incapacidade de acelerar a indústria brasileira, que está sendo objeto de uma competição feroz no mercado interno, os reduzidos resultados apresentados pelos investimentos em inovação e em educação, e a urgente necessidade de reduzir a carga tributária, para que a economia possa respirar um pouco melhor.
Com todos esses problemas, é de se esperar a inflação ao redor dos 6% ao ano, com o crescimento do produto limitado, na melhor das hipóteses, a 3% sem modificações no nível do emprego. Existem, contudo, grandes incógnitas: como o sistema financeiro enfrentará o cenário de redução dos juros, ainda que eventualmente eles venham a subir, ao mesmo tempo em que serão implementadas as medidas mais restritivas do Basiléia III, e como a indústria nacional irá superar seus agudos problemas de competitividade.

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