Arquivo de março, 2013

As Limitações da Infraestrutura

Postado por Tharcisio Souza Santos em março 24, 2013  |  No Comments

A segunda semana de março mostrou, uma vez mais, a enorme fragilidade da infraestrutura econômica do país e todas as consequências que isto pode trazer para o percurso que a nação tem de empreender na direção do pleno desenvolvimento.
Depois de uma grande safra, a maior da história em grãos e outros produtos, o desafio é chegar aos portos e embarcar os produtos para os mercados externos a que se destinam. Rodovias em péssimo estado de conservação e a quase inexistência de ferrovias, que apresentam uma velocidade média equivalente a um terço de suas congêneres nos Estados Unidos, contribuem, de forma dramática para o encarecimento dos custos de movimentação da mercadoria e, consequentemente, para a redução abrupta das margens do produtor.
No entanto, quando se procura remover esses óbices ao desenvolvimento, destaca-se – ainda mais – o péssimo estado dos portos de embarque e das suas vias de acesso. As cenas divulgadas pela imprensa, com as imensas filas nas proximidades dos portos de Santos e de Paranaguá são características de países menos desenvolvidos. É inacreditável que estejam ocorrendo aqui, depois de décadas de descaso e abandono. É urgente resolver essas questões de forma definitiva!

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Possivel elevação dos juros básicos

Postado por Tharcisio Souza Santos em março 16, 2013  |  No Comments

Parece claro que nos encontramos próximos a uma mudança na taxa básica de juros, como consequência do comportamento da inflação.

A leitura da Ata do COPOM, publicada nesta semana, bem como o teor das conversas e discussões entre Diretores do BACEN e técnicos do mercado parece indicar que o nível de juros neutros foi superado neste processo de queda e que seria necessário promover uma elevação da ordem de 1,25 a 1,5% para repor a taxa em uma posição adequada. Assim, pode-se prever uma elevação da SELIC para o patamar de 8,5 a 8,75% ao ano, se não na reunião de abril do COPOM, pelo menos na reunião subsequente.

A adoção de um patamar mais elevado estará dependendo do comportamento dos preços nas próximas semanas, agora que a desoneração dos produtos integrantes da cesta básica já está realizada.Se, por um lado, essa desoneração só pode merecer elogios, tendo em vista seu alcance social e o absurdo de financiar o Estado às custas do consumo de produtos essenciais, o que persiste, no entanto, é a sensação de que a desoneração é uma providência limitada, uma vez que terá de ser complementada pela introdução de um novo gravame ou pela aceleração da tributação sobre outro grupo de produtos e/ou serviços.

O que se faz urgente é atacar a questão tributária e fiscal de modo consistente, reduzindo o tamanho do Estado e, consequentemente, da carga tributária.

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Piora da inflação e desoneração da cesta básica

Postado por Tharcisio Souza Santos em março 9, 2013  |  No Comments

As notícias da semana permitem que se forme uma idéia mais ou menos clara do que se encontra no centro das preocupações do Governo.
Na quarta-feira, ao final da reunião do COPOM em que os juros básicos de 7,25% ao ano foram mantidos, surgiu uma novidade: a não repetição da menção à manutenção dessa taxa ao longo do tempo. Foi o suficiente para confirmar os rumores e a precificação do mercado futuro, na direção de uma elevação dos juros básicos, possivelmente já na reunião de abril. De qualquer forma, maiores esclarecimentos deverão estar disponíveis na próxima quinta-feira, quando da publicação da ata do COPOM.
Na sexta-feira as notícias de uma elevação forte da inflação em fevereiro, contida apenas parcialmente pela redução das contas de energia elétrica, mostraram que o IPCA de doze meses registrou, ao final de fevereiro, marca superior a 6,3% ao ano, o que indica uma forte tendencia de rompimento do teto da meta (de 6,5% ao ano) no final do primeiro trimestre.
Com tudo isso, a pretendida desoneração de impostos incidentes sobre os produtos da cesta básica, que se achava em estudos, foi adiantada e comunicada ao público na noite da sexta-feira. De um lado, trata-se de uma notícia alvissareira, eis que os brasileiros de menor renda deverão ser bastante beneficiados pela medida, que poderá reduzir em mais de 9% o preço de carnes, do café, do óleo de cozinha e outros bens, enquanto que produtos de higiene e limpeza poderão ter seu preço final reduzido em até 12,5%. Trata-se de uma renuncia fiscal da ordem de R$ 7,3 bilhões.

No entanto, na medida em que não está ocorrendo uma reforma tributária, mas apenas um conjunto de “remendos” à situação atual, continuaremos a ter de enfrentar uma carga elevadíssima de impostos, sem nenhuma eficiência do Estado, que continua inchado e incapaz de atender minimamente às demandas da sociedade. A desoneração fiscal é substituída pela introdução de novos gravames, sobre outros setores, em uma ciranda sem fim. É necessário e urgente enfrentar o problema de frente e começar o processo de redução do tamanho do Estado.

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